Diferenças cognitivas entre homens e mulheres – falácias metodológicas [em andamento]

Bom, como esse argumento é frequente, e como eu estudei isso bastante pra compreender, eu vou lançar aqui rapidamente as questões principais. Depois eu vou fazer um texto oficial consultando os livros que li e dando as fontes. Conteúdos abordados:

1) Impossibilidade de isolamento de variáveis: uma ciência pseudo-empírica

2) Pesquisas precisam dar positivas pra ser publicadas

3) Os estudos não são replicáveis

4) Resultados brutos (reais) não são divulgados

5) Pesquisas sobre o impacto da “ameaça dos estereótipos” são ignoradas

6) O problema da validação de testes psicológicos

7) Como as diferenças cognitivas nos testes mudou junto com a inserção das mulheres no mercado e escolas

8) A relação não evidenciada entre morfologia cerebral e a qualidade da função

~*~

1) Não dá pra isolar as variáveis, é uma ciência pseudo-empírica

O primeiro problema, e mais básico, é que a psicologia cognitiva é uma ciência que não tem como isolar variáveis. Isso significa que, em todos os experimentos, é impossível saber se a diferença encontrada entre homens e mulheres deriva, de fato, da cultura ou da genética.

Isso implica em outro problema: existem características que nós só seremos capazes de avaliar em determinados períodos da vida, depois de o indivíduo já ter passado por vivências da educação. Por exemplo: pra gente avaliar comportamento sexual, ou mesmo atração sexual, precisamos pegar indivíduos que estejam pelo menos na puberdade, já tendo passado por pelo menos 10 anos de cultura. Eles frequentemente recorrem à falácia de que, se vc verificar o mesmo comportamento em várias culturas diferentes, então o comportamento tem influência genética. O motivo pelo qual isso é problemático me parece óbvio. Primeiro porque só podemos fazer experiências com culturas atuais, e é bem difícil encontrarmos hoje em dia culturas não ocidentalizadas. Disso decorrerá que, além de os estudos serem viciados pela ocidentalização, qualquer semelhança que venha a existir por mero acaso histórico vai ser tida como inata. E o outro problema é mais óbvio. Essa explicação estatística não refuta em nada a alternativa do construcionismo social. Então, no final, a briga se torna apenas ideológica – qual das vertentes você acha mais legal, ou seja, qual serve melhor aos seus interesses. Chuta qual os homens escolhem.

2) Positividade obrigatória das pesquisas

As revistas internacionais não publicam pesquisas que deem resultados negativos. Isso é, se você faz uma pesquisa e não encontra nenhuma diferença cognitiva entre mulheres e homens, sua pesquisa tem menos chance de ser publicada do que pesquisas que encontram diferenças. Adivinhem onde isso vai dar.

3) Um problema estrutural nas ciencias cognitivas atuais, reconhecido no próprio periódico da revista Nature, é que a maior parte dos estudos não são replicáveis. Isso significa que vários dos resultados obtidos são obtidos apenas por alguns pesquisadores, e não por todos. O problema nisso é que a replicabilidade é o que garante que os estudos estão sendo conduzidos com ética e rigor. Se seu estudo é de fato empírico e neutro (rysos), o resultado precisa ser o mesmo sempre que alguém repetir esse estudo estando sob as mesmas condições. E, somado a isso, existe o fato de que os jornais divulgam estudos avulsos, sem comentar sobre se foram ou não replicados. Então adivinha se vc pode confiar mesmo que alguém te cite um estudo e dê o link dele.

4) Outro problema igualmente estrutural, e isso para todas as ciências, igualmente reconhecido no periódico da revista Nature. Os resultados brutos obtidos no experimento não são divulgados. O que é o resultado bruto? É o resultado de cada um dos participantes da pesquisa, os dados a partir os quais o cientista (sim, homem quase sempre) muitas vezes ARREDONDA os resultados como bem entender para a partir de então fazer as contas estatísticas. Ou seja, você pode conferir a estatística e ela estar correta, mas o cientista pode ter arredondado os resultados ou trabalhado-os de forma que o resultado da pesquisa dê positivo e estatisticamente relevante. E ninguém, nem os donos da revista, vão poder saber se o arredondamento ou manipulação dos dados ocorreu e se ocorreu de forma honesta. Dado que sua chance de publicar é maior se o resultado for positivo, pensem…

5) Estudos sobre Stereotype Threat (“ameaça do estereótipo”) são ignorados.

Esses são estudos que mostram que, se você diz pra uma categoria que ela é ruim em matemática, ela vai perder a confiança e vai ser ruim em matemática. As dificuldades de acompanhar alunos ao longo de anos em salas de aula avaliando o tratamento dos professores são óbvias, então esses estudos costumam ser mais pontuais, mas existem. Por exemplo, se você pede pra meninas crianças fazerem um teste de matemática depois de pintarem um lacinho e serem “lembradas” de que são meninas, elas vão pior em matemática do que quando você não coloca o teste seguido a uma atividade ligada ao gênero. Ao contrário, meninos vão melhor no teste quando depois da atividade ligada ao gênero, do que quando não fazem tal atividade. Curiosamente pros maletears, meninos brancos americanos, quando confrontados ao estereótipo de que meninos americanos vão pior em exatas que orientais, vão pior nos testes (muitos, muitos rysos).

Depois eu continuo, apesar de que eu acho que já deveria ser suficiente. E, mesmo quando eu terminar, ainda não vou ter dito tudo o que dá pra dizer sobre o assunto. :}

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Esta entrada foi publicada em 29/06/2014 às 15:11 e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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